O QUE É FAZER INVESTIGAÇÃO ? Em medicina, admite-se em geral que a plenitude da prática profissional é atingida quando o médico consegue fazer acompanhar a prática clínica, base de toda a sua actividade profissional, por actividades de ensino e aprendizagem, de gestão, e de investigação.No caso específico da Medicina Geral e Familiar, e dadas as especiais características do modo de exercício profissional em cuidados de saúde primários, um trabalho permanente de interrogação e pesquisa, conduzido preferencialmente em equipa, é uma necessidade muitas vezes sentida pelo médico de família no seu quotidiano profissional.
Este trabalho constitui a essência da investigação.
Para o médico de família, investigar é assim um trabalho cujo objectivo último é responder a perguntas que surgem no decurso da sua actividade profissional, usando de uma metodologia específica: sistemática, organizada e objectiva.
Em rigor, a investigação apenas serve para produzir novos conhecimentos. Não se investiga para mudar a realidade: para isso podemos planear e desenvolver acções ou programas de intervenção, com objectivos e métodos específicos, que podem nada ter a ver com a investigação.
Portanto o investigador, embora seja motivado muito frequentemente por aspectos que gostaria de compreender ou modificar na realidade onde está inserido, sabe que do seu trabalho de investigação não resultará nunca uma sensível modificação imediata dessa realidade1.No entanto, desse trabalho resultará em geral uma melhor compreensão dos fenómenos que o rodeiam, resultante dos novos conhecimentos produzidos pela sua investigação. E esses conhecimentos são por vezes necessários para poder posteriormente intervir sobre a realidade de modo operativo: mas isso já não é investigação...
1. Excepção para o chamado efeito Hawthorne
Toda a investigação começa por uma pergunta. Mas nem tudo o que nos interessa é susceptível de ser investigado. E por vezes, embora possa, não deve merecer a nossa atenção de investigadores... Então, como seleccionar um assunto para investigação?Uma boa prática é fazermos a nós próprios várias perguntas quando estamos a escolher o tema da nossa investigação: Tem interesse? Já é um assunto estudado? É importante? É susceptível de ser investigado? Podemos esperar chegar ao fim do trabalho num tempo razoável?
Naturalmente que as respostas a estas questões são algo subjectivas, e por isso é conveniente discutir com outras pessoas, colegas por exemplo, a nossa ideia. Uma pergunta que nos motiva fortemente pode não ser apelativa para mais ninguém, ou mesmo ter já sido respondida por outros sem que nós o soubéssemos... ou ser impossível de responder!
Por outro lado, não podemos esquecer que para investigar é praticamente sempre necessário usar recursos que não são apenas nossos - nem que seja o recurso tempo de umas pessoas a quem vamos pedir que colaborem connosco para colher dados...
Por isso, a boa pergunta de investigação é aquela à qual somos capazes de responder com os recursos que conseguimos obter: se o nosso tema não interessa a ninguém senão a nós próprios, provavelmente ser-nos-á impossível investigá-lo, e sendo assim há que ponderar bem se se tratará de facto de uma pergunta importante...
Por fim - mas não menos importante - fica-nos a questão final a resolver. Sem dúvida a nossa pergunta é boa, interessámos por ela várias pessoas, vamos conseguir responder em tempo útil e com os recursos que mobilizámos. Mas... e depois?
Quando tivermos a resposta, para que nos serve? Por outras palavras, qual a utilidade do nosso trabalho de investigação? Apenas vamos ficar satisfeitos porque conseguimos dissipar a nossa dúvida, ou a resposta que encontrámos vai permitir fazer qualquer coisa ou ser utilizada para produzir alguma mudança?
Passadas as dificuldades da escolha do tema ou das perguntas de investigação, podemos então tratar de os classificar dentro de uma das grandes áreas da investigação aplicada: epidemiológica, clínica, administração de serviços, educação, prevenção. É que assim estamos já orientados para saber com quem falar, que revistas consultar, a quem pedir ajuda...
Sem dúvida o mais difícil é encontrar uma boa pergunta de investigação. Mas mesmo quando pensamos ter conseguido esse feito, torna-se necessário reflectir sobre ela, para tentar perceber por onde poderemos começar o nosso trabalho.Uma pergunta implica habitualmente alguma ou algumas respostas. Se não formos capazes de compreender minimamente o contexto no qual se insere o problema de que partimos, dificilmente conseguiremos também formular respostas possíveis para as nossas dúvidas. E sem hipóteses de resposta, é virtualmente impossível delinear correctamente o nosso trabalho.
É portanto muito útil reflectir sobre o problema que nos serviu de ponto de partida para tentar comprendê-lo mais profundamente, e se possível encontrar para ele algum modelo explicativo.
A utilização de ferramentas como o desenho de redes de causalidade pode auxiliar naquela reflexão e facilitar o aparecimento de novas questões ou a reformulação daquelas de que partíramos.
Não devemos considerar este trabalho desnecessário, ou menos ainda uma perda de tempo. Pelo contrário, o investimento nesta fase do trabalho de investigação é o mais produtivo em termos futuros...
E Transformar perguntas em objectivo
O conjunto das operações que devem ser realizadas para connseguir de modo correcto concluir um trabalho de investigação pode designar-se genericamente por sequência operacional de um estudo.
Por agora, teremos de nos contentar com a Bibliografia e as ligações...
Não esquecer que existem muitas vezes oportunidades de financiamento em aberto, que não podemos ignorar!
Pois é, vamos aproveitar as potencialidades da WWW para começar a desenvolver projectos. Afinal, para investigar, o mais difícil é ter boas ideias...Ora uma destas boas ideias pode ser a de usarmos a internet para contactarmos outras pessoas interessadas em investigação. Podemos apresentar as nossas ideias, as nossas perguntas de investigação, e pedir que nos dêem opiniões acerca delas. O nosso interesse pode ser o mesmo de alguns outros colegas que, graças à rede telemática, já não estão assim tão longe de nós quanto parece quando olhamos para o mapa...
Também pode acontecer (e não seria a primeira vez) que essas pessoas estejam interessadas em participar no nosso projecto, ou tenham elas próprias algum projecto no qual gostaríamos de colaborar...
Esta página pretende incentivar este tipo de contactos entre nós: é um convite para grupos de colegas que discutam e proponham ideias ou projectos de investigação. E quer também ser um cruzamento por onde possam passar os os médicos de família que estão, ou querem estar, a fazer investigação.
Por aqui poderão portanto passar ideias e pessoas, e a partir daqui poderão formar-se gradualmente redes de interesses e de recursos dedicados à investigação em clínica geral.
Este espaço está pois aberto à divulgação de ideias, de propostas, de pedidos de colaboração e contacto de todos os interessados. E sobretudo a todas as sugestões ou colaborações que queiram aparecer...
Estes são alguns livros úteis
para quem precisa de ajuda...
Agora já quase não
precisamos de uma biblioteca à mão...
Argimón-Pallás JM, Jiménez-Villa J. Metodos de investigacion aplicados a la atención primaria de salud. Barcelona: Doyma; 1991.
Armstrong D, Calnan M, Grace J. Research methods for general practitioners. Oxford: Oxford University Press; 1990.
Beaglehole R, Bonita R, Kjellstrom T. Basic epidemiology. Geneva: WHO; 1993.
Bowling A. Measuring health. A review of quality of life measurement scales. Milton Kaynes: Open University Press; 1995.
Clegg F. Estatística para todos. Um manual para ciências sociais. Lisboa: Gradiva; 1995.
Comissão de Classificações da WONCA. Glossário para Medicina Geral e Familiar. Lisboa: APMCG Dep Editorial; 1997.
Comissão Internacional de Editores de Revistas Médicas. Normas para apresentação de artigos propostos para publicação em revistas médicas. Rev Port Clin Geral 1997;14:159-74.
Comité de Classificação da WONCA. CIPS-2 Definida (Classificação Internacional de Problemas de Saúde em Cuidados Primários). 2ªed. Lisboa: APMCG-CIMF; 1991.
Crabtree BF, Miller WL, editors. Doing qualitative research. London: Sage Publications; 1992.
Foddy W. Como perguntar. Teoria e prática da construção de perguntas em entrevistas e questionários. Oeiras: Celta Editora; 1996.
Howie JG. Research in general practice. 2nd ed. London: Chapman and Hall; 1989.
Jiménez-Villa J, Argimón-Pallás JM. Investigação em cuidados de saúde primários. Aspectos metodológicos. In: Martin-Zurro A, Cano-Pérez JF, editores. Manual de cuidados primários. Organização e protocolos de actuação na consulta. Lisboa: Farmapress Edições; 1991. p. 159-71.
Kelle U, editor. Computer-aided qualitative data analysis. Theory, methods and practice. London: Sage Publications; 1995.
Lamberts H, Wood M, editores. ICPC. Classificação internacional de cuidados primários. Lisboa: APMCG; 1995.
Ong BN. The practice of health services research. London: Chapman and Hall; 1993.
Patton MQ. Qualitative evaluation and research methods. 2nd ed. Newbury Park: Sage Publications; 1991.
Reis E. Estatística descritiva. Lisboa: Edições Sílabo; 1996.
Streiner DL, Norman GR. Health measurement scales. A practical guide to their development and use. 2nd ed. Oxford: Oxford University Press; 1995.
Stewart DW, Shamdasani PN. Focus groups. Theory and practice. Newbury Park: Sage Publications; 1990.
Swinscow TD. Statistics at square one. 7th ed. London: British Medical Association; 1982.
WONCA Classification Committee. Functional status measurement in primary care. New York: Springer-Verlag; 1990.
REVISTAS
ORGANIZAÇÕES,
ASSOCIAÇÕES, SOCIEDADES CIENTÍFICAS
APLICAÇÕES
INFORMÁTICAS
BIOESTATÍSTICA
MEDLINE
CLASSIFICAÇÕES
INSTRUMENTOS
CENTROS
DE DOCUMENTAÇÃO PORTUGUESES
FINANCIAMENTO
CENTROS
DE SAÚDE em PORTUGAL
VIAGENS
ACONSELHADAS NA WWW em PORTUGAL
PESQUISA
GERAL em PORTUGAL
REVISTAS
(reais ou... virtuais)
Index Revistas Médicas Portuguesas
Encontra AQUI um auxiliar de tradução para facilitar as primeiras leituras....
# - Para estas revistas é
possível assinar serviço de alerta por correio electrónico
para recepção dos sumários!
ORGANIZAÇÕES,
ASSOCIAÇÕES, SOCIEDADES CIENTÍFICAS
CENTROS
DE DOCUMENTAÇÃO PORTUGUESES
Entidades financiadoras:
APMCG
Fundação
para a Ciência e a Tecnologia (FCT)
ICCTI
- Instituto para a Cooperação Científica e Tecnológica
Internacional
CORDIS
- Community Research and Development Information Service
Ministério
da Saúde
União
Europeia - DG V
União
Europeia - DG XII - Directorate-General XII Research Activities
WISE
- Information Board on R&D Activities in the European Union
VIAGENS
ACONSELHADAS NA WWW EM PORTUGAL
![]()
